Bordado como resistência cri(ativa)




"Bordando experiências de ser mulher na academia" trata-se de uma oficina que surgiu a partir da leitura do texto Bordando una etnografía: sobre cómo el bordar colectivo afecta la intimidad etnográfica (2018) de Tania Pérez-Bustos e Alexandra Chocontá Piraquive, somada as vivências pessoais com o bordado livre das mestrandas Thabata Caroline Ferraz Alves e Sabrina Morais Ferreira e, ainda, pautada na pesquisa vinculada ao NEID que vem sendo construída por Thabata junto à bordadeiras.

Nós mestrandas, encaramos essa técnica enquanto uma possibilidade de materialização dos sentidos e vivências de ser mulher, pesquisadora e/ou bordadeira. Nos apropriamos do bordado enquanto uma atividade manual que há alguns séculos é vista como um afazer doméstico, em uma sociedade pautada por papéis de gênero, e o levamos para dentro do ambiente acadêmico para ressignificar seu uso. Sabemos que ser mulher na academia pode ser resistência na medida em que rompe com a ideia de uma ciência individual e desapegada profundamente androcêntrica e que privilegia e propicia uma visão individualista, neutra e dissociada da realidade. 

Essa proposta, portanto, tem como objetivo repensar o lugar e a contribuição da mulher em atos de resistência tanto no cotidiano quanto na academia a partir da coletividade e do compartilhamento femininos possibilitados pelo bordado. Se posicionar e ter que conviver com e em um ambiente androcêntrico, colonialista e racional, que desconsidera e tenta calar toda e qualquer manifestação que fuja desses padrões é uma luta diária. Dessa forma, enquanto mulheres, pesquisadoras, e bordadeiras, vemos a necessidade e a possibilidade de utilizar a técnica do bordado livre coletivamente como ponto de ruptura do status quo nessa esfera e do fortalecimento de nossas vivências acadêmicas. 

A primeira edição da oficina aconteceu na tarde de 12 de setembro de 2019promovida pelo Grupo de Estudos Desenvolvimento e Interseccionalidade, com a mediação de Thabata e Sabrina, as margens do lago da Unifei. Estavam presentes dezesseis participantes, uma delas acompanhada de seu pequeno filho. Juntas, essas mulheres se expressaram bordando existências e relações vivenciadas no ambiente acadêmico. 




Crédito das imagens: Ana Abreu Braga @anasuya.braga



Referências: 

PÉREZ-BUSTOS, T; PIRAQUIVE, A. Bordando una etnografía: sobre cómo el bordar colectivo afecta la intimidad etnográfica. Debate Feminista 56 (2018), pp. 1-25. issn: 0188-9478, Año 28, vol. 56 / octubre de 2018-marzo de 2019.

PÉREZ-BUSTOS, Tania. Desfazendo pontos de vista feministas: reflexões metodológicas da etnografia do design de uma tecnologia. Texto apresentado na abertura do I Seminário Internacional sobre Tecnociência e Gênero, na Universidade Federal de Itajubá, em 26 de novembro de 2018. 

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